31 de mar. de 2009

Estatuto da Paixão

Seres passionais, humanamente insaciáveis
Desejos incontroláveis; beliculoso
Cegos no labirinto...
Regidos pelo princípio do prazer
Buscando a satisfação
Alcançando apenas o insatisfatório!

Aproximar ou Afastar?
Apetite ou aversão?
Prazer... Dor?
Seu único fim: a auto-conservação

Como se fosse possível desvendar o estatuto das paixões
Bruscos movimentos
Suaves movimentos
Espaçados e contínuos movimentos da mente

Impulsos incontroláveis – coerção!
E a mera pretensão de controlar, os movimentos, controlar
Juízos de valor e normas sociais
Vigiando e punindo... Didática baboseira cultural
Seres explodindo as grades, voando em direção ao caos
Julgados pelo inconsciente
Réu condenado

Um ser passional, que fique isolado...

Internativo

A sobriedade embasbacada em meio à insensatez
Loucos e lúcidos regurgitando espasmos imorais
Delimitando e colonizando linguagens lúdicas abafadas

Goladas de campari sem gelo, escondido embaixo da cama
Gargalhadas sufocadas, abortadas pelo travesseiro
Ansiando por sorvete de pistache, enquanto observa formigas de ancas fartas no coreto
Jogo cordas de lençol pela janela
Um rapel em lua minguante, frenética busca pela rua de paralelepípedos molhados

A Nau dos Loucos!
A Nau dos Lúcidos!
Fascinante extremo, oposto!
Um barco a deriva, com gostinho de campari

Dês – estigmatizar, dês - sacralizar, deturpar
Cortejar o bobo da corte, cortes
Talvez em reinos esquecidos de Roterdam!

Enfermidades do corpo, manifestas na alma!
Internativo
Apreciativo e Depreciativo
Na medida do inimaginável

Cogito

Mergulhada nas mais inescrupulosas dúvidas, eu duvido, eu cogito!
Dúvidas radicais, dúvidas céticas, dúvidas infundadas
Tudo que digo que sei
Tudo que acho que aprendi
Não faz sentido algum, não tem fundamento nenhum
Eu nada sei! Eu nem quero saber!

Cair em aporia, chutar galinhas pretas nas encruzilhadas
Estou em epoké! Cogito, queria poder não cogitar; devanear
Irracional
Não sei qualé que é
Deuses metafísicos, físicos, astro-físicos, paralíticos
Sagazes gênios malignos
Me confundindo, me tirando o juízo.

Na busca de certezas, purezas, proezas
Solidez
Títulos
Indubitavelmente um ponto fixo
Eu piro!

Vou meter o pé em tudo, mandar às favas
Porque...
Quem busca certezas, Pseudo-Purezas, Inegáveis bobeiras
Confirmações de escusas verdades, pra quê?
Desprezo a sua realidade, a razão, a representação
Você pode cogitar que estou apenas tentando me enganar
Em minhas incertezas, por falta de um desvendamento: Certezas
Finjo desprezar... Simplesmente pela incapacidade de não questionar, de não duvidar.
De não concluir
Ao prezar pela sensação, a vibração. Eu quero ação!
Visto a carapuça da força, da astúcia e da autarquia
Não me prive do direito à imaginação

Meu “desprincípio” da certeza!
Descarto Descartes...
Sempre preferi as dúvidas!
Ou seriam certezas?