Portugal e Espanha quando colonizaram o Brasil, não estavam participando do Renascimento que acontecia simultaneamente em alguns países da Europa. Mantinham ainda o ideal absolutista cristão; fechando as portas para nova abordagem científica da natureza e para o liberalismo. Possuíam um aspecto filosófico da segunda Escolástica em continuação da cristandade medieval.
O Brasil se torna Brasil com uma cultura dominada, e nesse período não há nada que se possa dizer sobre um pensamento filosófico nacional. Quando os ideais do humanismo, como os princípios liberais, atravessaram o Atlântico e chegaram até o Brasil, não foram bem entendidos, isso porque fora elaborado num contexto inimaginável para os habitantes do Brasil daquela época, uma vez que o governo português era avesso a tal forma econômica - política; e também porque não havia aqui uma burguesia formada a partir das cruzadas, lutando por seu espaço, contra um feudalismo em queda e contra uma monarquia absoluta.
Para as idéias novas trazidas da Europa havia surtos católicos. Desde o Concílio de Trento, a Igreja foi estruturada na forma institucionalizada. Há então uma tentativa de mudar essa estrutura segundo o ideal tridentino, que visava aumentar a autonomia da Igreja perante o Estado (o que era quase nulo no outro modelo citado).
O Ultramontanismo (século XIX) é um movimento que dá supremacia a Igreja de Roma em relação a outras Igrejas, esse movimento diz respeito à vida da Igreja.
O tradicionalismo surge como uma corrente jurídica, teológoca, filosófica e política; como contestação ao liberalismo racionalista (razão individual é o fim último da determinação dos valores). Para os tradicionais a razão individual esta submetida a razão social. Nesse projeto a religião ocupa papel de primeira ordem em oposição à sociedade moderna pós-revolução francesa.
No Brasil, o primeiro núcleo de estudos tradicionalista (espiritualistas) foi estruturado principalmente por Jackson de Figueiredo (entre outros) o processo reflexivo destes, se destaca por não focar apenas em uma abordagem tomista. Os estudos tradicionalistas se estendem até hoje, justificando que em torno do pensamento tradicionalista que se organiza a reação católica ao ecletismo e ao liberalismo. Apenas mais tarde, o Brasil recebe uma carga de idéias novas exigindo um outro padrão de comportamento. Houve um movimento em prol da abolição da escravatura, a Igreja se via segundo uma formação tridentina; e surgia um Brasil republicano: leigo, moderno, liberal.
Independente da situação econômica do país que se vive o filósofo inicia seu pensamento inserido no entorno natural que o circunda, eles se inspiram em sua época para filosofar. Obviamente, a filosofia não é feita a partir de uma singularidade; para filosofar é preciso ter um vasto e aprofundado conhecimento dos textos filosóficos anteriormente produzidos, ter um conhecimento minucioso da história da filosofia; da erudição. Esse conhecimento erudito é necessário como um meio (e não um fim) para “o filosofar”, pois a partir dele, o jovem filósofo influenciado por problemas e questionamentos próprios de sua época e de sua realidade passa a levantar suas hipóteses e esboçar suas respostas e assim estará fazendo filosofia. A filosofia independe das suas respostas, mas sim da sua maneira inovadora de interrogar o real. Com as novas idéias, chegou ao Brasil o positivismo que teve uma boa aceitação por parte da elite brasileira, e se tornou a ideologia dominante. Sua presença foi constante durante o período republicano.
Surge como reação ao positivismo a Escola de Recife, esse movimento exalta a razão leiga que busca caminhos de afirmação se mostrando contra qualquer manifestação que impedisse a modernidade; consideravam o positivismo ultrapassado. O pensador mais importante dessa escola foi Tobias Barreto, inspirador da corrente culturalista (que força o pensar na cultura, no caso, a brasileira).
Segundo Tiago Adão Lara, não é possível afirmar que essa escola tenha elaborado um pensamento próprio e específico, pois esse espaço era tomado pelo positivismo. O positivismo consagrou o estado vigente e o firmou ainda mais, a elite se contentava com o verniz cientifico tomando-o como moderno para evitar uma reflexão mais crítica.
Após a primeira grande guerra, o Brasil tem sua estrutura socioeconômica renovada; há formação de parques industriais principalmente no Rio e em São Paulo, os operários dessas fábricas estavam influenciados por idéias anarquistas e comunistas.
Pela primeira vez, o povo exigia seus direitos.
Não houve, porém um amadurecimento significativo no que diz respeito ao campo filosófico; no período colonial, não havia instituição de ensino superior, o que favorecia o pensamento filosófico apenas em seminários eclesiásticos. Os primeiros cursos superiores foram de medicina e direito (depois da independência) e somente mais tarde começa a surgir cursos de filosofia nas faculdades, proporcionado uma afirmação da inteligência católica brasileira no cenário cultural.
O “Instituto Brasileiro de Filosofia” existe há pouco mais de meio século e a partir dele, houve uma significativa evolução no campo filosófico brasileiro, pois o IBF teve o intuito de estabelecer um contato entre os pensadores nacionais por meio da “Revista Brasileira de Filosofia”, o que proporcionou ao país, segundo o fundador do instituto, Miguel Reale a conquista de um lugar no cenário filosófico universal. Luis Washington Vita (também colaborador do IBF) foi responsável pela união dos pensadores brasileiros e portugueses, o que deu origem a fundação do ”Instituto de Filosofia Luso-Brasileira”.
O IBF possibilitou um diálogo universal de idéias contando com existencialistas, fenomenologistas, filósofos do direito e políticos, culturalistas e até mesmo um entre os fundadores da Lógica Paraconsistente, com Newton C. A. da Costa. Em “História das Idéias Filosóficas no Brasil”, Antonio Paim relaciona obras da filosofia social e as demais filosofias da ciência emergidas no país naquela época.
É importante destacar que esses dados acima citados são perspectivas do fundados do IBF, portanto não devem ser tomados como verdadeiros de imediato, é preciso verificar os escritos por ele vangloriados e somente então concordar ou não com sua relevância. Ainda sob a mesma perspectiva teria o Brasil já atingido uma maturidade filosófica, que age “na medida do possível” de maneira autônoma. Para ele, há distinções nos estilos/ formas de filosofar quanto às prioridades na seleção dos objetos do discurso; Isso comprova a relatividade da “filosofia universal”.
Hoje se fala na filosofia universalista, de certa forma esse termo exclui a necessidade de falarmos sobre uma filosofia genuinamente brasileira ou de qualquer outro país. Há hoje acadêmicos que desprezam a necessidade de uma indagação nacional, já que a ordem é a filosofia universal. Mas para a elaboração de uma filosofia universal, o filósofo parte de um questionamento e este indivíduo vive sob determinadas circunstâncias cultural-sociais que de certa forma irão influenciar direta ou indiretamente sua tese. Portanto, mesmo em um pensamento universalista, há características nacionais encalacradas nele; o local, o nacional e o universal devem ser unir numa reformulação que irá compor o que Miguel Reale chamou de “universal concreto”.
O que torna possível falar sobre uma filosofia especificamente de tal país, é que mesmo que as questões de determinado pensamento filosófico universais tenham aspectos que por sua persistência e continuidade diferenciam-se das outras. As idéias nacionais devem ser desenvolvidas sob contexto das idéias universais.
Não há vantagem em copiar uma filosofia já anteriormente elaborada, é necessário lê-la atentamente, o que possibilita diálogos entre domínios culturais distintos. Seguindo esse percurso, de primeiramente conhecer a fundo a história da filosofia e depois a partir de sua realidade e de seus questionamentos (e isso nada tem a ver com o psicologismo) é possível estabelecer um pensamento próprio. Isso deve ser feito sem o ideal último de criar uma filosofia brasileira. Pois os frutos do trabalho virão; independente de quando.
Para filosofar, é necessário um cuidado metódico e um estudo aprofundado dos textos clássicos. Esses são fatores fundamentais para a elaboração de um pensamento filosófico; mas não o primordial. Primordialmente para exercer esse trabalho, é necessário filosofar. “Pois só se aprende a filosofar filosofando” .
Reale alegou que já existe um pensamento próprio no Brasil, tanto de ordem geral quanto de ordem especializada. Além de traduções e de contribuições para publicações européias. Ele afirmou que a filosofia do Brasil é uma disciplina autônoma nas universidades. São fatores que justificam a maturidade filosófica brasileira aclamada por Reale.
É também nesse sentido que Júlio Cabrera almeja um pensamento filosófico próprio de acadêmicos brasileiros. Ele não afirma essa autonomia das universidades como Reale o fez, ao contrário, ele acredita que há uma espécie de niilismo da comunidade universitária a respeito dos alunos que têm pensamento próprio. Estes por sua vez tendo suas tentativas filosóficas frustradas, vêem apenas a possibilidade de serem comentadores. Não podem fazer filosofia; podem apenas repetir o que os filósofos dizem.
É preciso desmistificar a filosofia, encará-la como a voz da finitude, como a manifestação da dúvida, do espanto, da curiosidade; pois quando o questionamento surge, é de maneira inadiável para o sujeito indagador.
O “filosofante” brasileiro muitas vezes dá continuidade a seus estudos no exterior para se aperfeiçoarem no pensamento de um estrangeiro. Eles em maioria esmagadora são pouco escutados lá fora e seguidos com pouco entusiasmo por seus conterrâneos.
É complicado falar sobre uma filosofia brasileira, pois não há no Brasil uma tradição de professores/escritores, se lerem mutuamente. Isso porque passam todo o tempo lendo e comentando autores estrangeiros. É importante lembrar que os grandes escritores de uma mesma época se correspondiam entre si (e naquele tempo nem existia intenet!); faziam replicas para contrapor o colega, ou aprimorando determinados conceitos anteriormente elaborados; para ser filosofia, não basta repetir o que foi dito, é necessária uma maneira inovadora de questionamento, acrescentando algo novo.
O Brasil é carente da filosofia e isso é algo construído pelos próprios trabalhadores da filosofia brasileiros. Na medida em que a academia bloqueia qualquer tentativa do filosofar; abrindo as portas apenas para a filosofia de comentadores.
Temos duas opiniões opostas; uma de Reale considerando a filosofia brasileira possuidora de uma dimensão; e em contraposição Júlio Cabrera dizendo que o sistema acadêmico veta qualquer tentativa filosófica.
Eu como aluna de graduação em um curso de filosofia encontro grande dificuldade em tratar tal tema, pois não me considero suficientemente embasada teoricamente para tal tarefa. Eu não posso concordar com Reale quando ele diz que há autonomia universitária (não dogmaticamente, uma vez que desconheço as universidades citadas por ele quando dá esse exemplo) da disciplina de filosofia do Brasil. falo da falta de autonomia embasada no curso de que conheço. Este por sua vez não aborda de maneira reflexiva o pensamento dos filósofos nacionais, para que possamos de forma embasada reconhecer ou não uma filosofia genuína desses escritores. Ficamos em uma discussão sobre sua existência ou não a partir de textos sobre essa suposta existência; mas não pegamos um texto filosófico nacional, não conhecemos o legado filosófico nacional, e sem conhecê-lo a fundo, opinar sobre ele não passa de “doxa”.
Esse problema atinge a MAIORIA das disciplinas; o que não me permite enquadrar em nenhuma das duas possibilidades, isso por cursar filosofia em uma instituição que não prioriza os textos do filósofo e consequentemente não dar oportunidade de filosofar. Estamos fora da discussão proposta tanto por Reale que afirma certa autonomia filosófica no Brasil, que se deu a partir do estudo sistemático dos textos filosóficos anteriormente escritos. E também estamos fora da discussão proposta por Cabrera, que alega existir no Brasil apenas esse estudo minucioso dos textos filosóficos estrangeiros; a filosofia do comentador. Estamos abaixo da discussão; pois não tendo esse estudo das obras filosóficas, que juntamente com a indagação “singular” é a base do pensar filosófico, fica inviável filosofar.
Há apenas a preocupação de dar um panorama geral sem nenhum comprometimento filosófico.
Fica um questionamento sobre o papel da Universidade. Pois se ela não fornece aos seus alunos nem a possibilidade de ser um bom comentador, fica praticamente impossível discutir se há ou não um papel importante em fazer filosofia num país subdesenvolvido, e até mesmo em discutir a própria filosofia. Pois temos a noção de filosofia medíocre, apenas pela visão do comentador do comentador. Não temos (na grande maioria das disciplinas) contato com a linguagem do filósofo, com sua obra.
Qual o papel da Universidade? Apenas fornecer um diploma? Dar um curso de pseudofilosofia para donas de casa entediadas? Ou talvez preparar seminaristas para o egresso na teologia?
E os que se preocupam, respiram e querem ir a fundo à filosofia? São excluídos, tendo que focar no estudo filosófico autodidata, se não quiser permanecer na superfície. Seus interesses são vetados em prol de uma maioria acomodada.
Dessa forma, para discutir um pensamento filosófico brasileiro, anteriormente é necessário conhecê-lo, ler os legados deixados por esses supostos filósofos e a partir daí, com auxílio de um estudioso dessas obras avaliar sua importância. Sem esse requisito considerado básico por Reale, por Cabreira, por Scarlat Marton que deu uma palestra incrível na PUC-CAMPINAS exaltando essa importância, por Schooyans, e por tantos outros.
Temos no Brasil uma forte atração pelo passado e uma forte atração pelo exterior, o que funciona como uma válvula de escape como pretexto da evasão. Há um menosprezo em relação aos problemas nacionais, um descaso, como se não vivêssemos no Brasil, como se o que ocorre aqui não fosse nossa realidade. É uma crítica que Ortega y Gasset fez também aos jovens argentinos em seu exílio em épocas franquistas. Ortega tratou o problema como uma inaltenticidade intelectual argentino, por estes "quererem ser" europeus. segundo Ortega, esse tipo de comportamento é o "não ter-se" e ele usa esse exemplo em seu livro "Rebelião das massas" onde conceitua "massa" como praticadores de uma ação inaltentica, despreocupada com seu passado o que torna o homem um escravo. Para filosofar antes de tudo é extremamente necessário o contato com o texto dos filósofos anteriores, com os clássicos; é preciso esmiuçar esses textos, ser um erudito em historia da filosofia e, além disso, estar conectado com a realidade atual, estar bem informado sobre os problemas universais e também os de sua região, de seu país. Só dessa maneira há uma possibilidade de reflexão produtiva e original. Falta estudo histórico, nacional e internacional, falta textos bem traduzidos, falta disciplinas obrigatórias de línguas (inclusive as clássicas) em cursos de graduação em filosofia, falta muito.
No Brasil, há uma tendência dos “filósofos” ou de se deterem no passado ou buscarem sua satisfação filosófica no exterior. É uma espécie de fuga, fuga das necessidades nacionais, da construção de uma ideologia própria (pois não há uma grande nação sem uma grande ideologia). Assim pode-se dizer que se não for para filosofar de maneira que venha a acrescentar algo de novo é sim um luxo, dispensável não apenas em países subdesenvolvidos, mas em qualquer país, por mais rico que seja. Mas se a filosofia for elaborada a partir de questionamentos pertinentes a realidade de quem questiona e embasada por estudos sérios da história da filosofia, é muito útil. Isso porque é a partir do pensamento, que uma sociedade se reconhece, e se reconhecendo como tal, enxergando suas carências, enxerga também sua força; ela progride alcançando desenvolvimento, a ordem e o progresso. O Brasil tem suporte natural para isso, mas falta-lhe um pensamento significativo e preocupado, falta ousar e andar com as próprias pernas.
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2 comentários:
É que eu ainda não me formei!
Pois é, Carol, eis aí um tema espinhoso! Parafraseando o meu considerado Natan, como fazer filosofia num país onde ela nem sequer é levada a sério? Quantas vezes ouvi (de alguns pretensos "jornalistas de butique"; chamar tais cruzamentos de papagaio com corvo de colegas seria um ultraje) que no meu novo curso eu só iria tratar de "viajar na maionese", de que os temas da filosofia eram "uma viage(sic)" (repare no refinamento lingüístico destes engomados repórteres de Jornal Nacional)? E ainda clamam para si aquela diamantina arrogância de Paulo Francis para se dizerem "formadores de opinião" (ninguém diz, mas a CAPES ameaçou rebaixar o Jornalismo de Área do Conhecimento para um mero curso profissionalizante, porque a maioria das universidades brasileiras, a Pontifícia incluída, transformaram uma universidade séria num horrendo CURSO TÉCNICO).
E qual a imagem da Filosofia na sociedade, na mão destes "formadores de opinião"? Resulta nestes absurdos que a gente vê até dentro do nosso meio, como pretensos catedráticos que usam O Mundo de Sofia na academia (tão fácil, phylosophy for dummies!); ou esses péssimos profissionais que, refletindo toda o vício trazido pela sua velhacaria, buscam sabedoria na Mídia, esse amontoado de opiniões raivosas e demências gratuitas; ou ainda nesses péssimos estudantes que se sentam ao nosso lado na classe: uma hora é um arrogante aluno que imagina ser um doutor, e tasca lá que não existe filosofia depois de Hegel e proclama a Fenomenologia como a Suprema Teosofia (Em nome do Ego, Amém! Glória a Narciso); e outra é um lixo humano, desprezível, que não dá valor nem a si mesmo e nem respeita os seus pares e ainda se acredita um avatar de Deus, escarrando na memória de São Gaspar Barone (fundador dos Estigmatinos) em nome de sua petulância infantil e de seus delírios messiânicos!
Quando vamos começar a fazer uma genuína filosofia no Brasil? Sinceramente não sei, mas ainda tenho a esperança de que nosso país possa produzir mentes como as de Platão, Aristóteles, Descartes, Hobbes, Kant, Hegel, Merleau-Ponty, Buber, Ortega y Gasset e tantos outros que não caberiam aqui! Nós precisamos esquecer a presepada histórica de D. Pedro I e, às margens do rio do Intelecto, darmos o NOSSO grito de INDEPENDÊNCIA! Precisamos aprender a criticar, a duvidar, a pensar sem que outros (as Igrejas, o PSTU, a Rede Globo, a VEJA, os órfãos choraminguentos da URSS, o Lula, o Augusto Cury e os sábios de botequim) pensem pela gente.
Que fique para nós o exemplo da Escola de Madrid: escrevamos o capítulo 1 de nossa filosofia e nos encaixemos no grande mundo filosófico, pois Filosofia se faz também fora da Grécia ou da Alemanha ou da França. Honremos os eternos mestres, bebamos na fonte, mas que nos esforcemos sempre para que a chama dos debates e das idéias jamais se apague!
E o fundamental: que nunca paremos de pensar...
Vije, surtei que nem um poeta suicida, foi mal!
Inté, Carol, beijos!
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